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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Interacções online - I

Artigo:"Mediação Pedagógica Online: Análise Transversal de Ferramentas de Interação" de Jocelma Rios, Renê Pimentel e Bento D. Silva in IV Colóquio sobre Questões Curriculares - 2 a 4 de Setembro de 2008 UFSC, Brasil acedido em 27 de Fevereiro de 2010 em [http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/10036]

Quando escolhi o artigo, tive em linha de conta que se centrava num AVA que me interessa – plataforma MOODLE – e utiliza como recurso o fórum. O contexto em que se centrou este estudo foi num Curso de Especialização Lato Sensu em Gestão Escolar, que foi promovido pela Universidade da Bahia. Numa fase inicial, envolveu dez universidades federais brasileiras, no âmbito do Programa Nacional Escola de Gestores da Educação Básica. Uma das finalidades do estudo apresentado centrou-se na interactividade entre os intervenientes, assim como o apoio dos professores e apoio dos alunos.


No meu resumo, irei centrar-me apenas nos pontos que se prendem mais directamente com o tema em questão.


1- Mediação Pedagógica na Educação Online


A introdução das TIC na educação trouxe novos desafios às escolas e a importância cada vez maior de redes sociais, do exercício da cidadania contextualizado numa visão diferente do quotidiano, dos valores e das crenças, formando cibercidadãos, mobilizou os professores para assumir papéis diferentes dos desempenhados até agora.


É num quadro com uma amplitude ainda maior do que aquele aqui traçado que o professor necessita de estar cada vez mais atento às interacções desenvolvidas em espaços escolares.


Este estudo cita Silva e Gomes (2003) e Gonzalez(2005), indicando um conjunto de recomendações relativas a uma experiência de trabalho colaborativo na Internet, das quais destaco apenas algumas:


-Conhecer melhor as percepções dos alunos em relação ao trabalho de grupo;


-Transmitir aos alunos a ideia que não seriam penalizados pela partilha de ideias e sugestões, mas antes beneficiados;


-Tomar medidas concretas no desenvolvimento do trabalho, nomeadamente, a definição de prazos-limite;


-Incluir nas actividades sujeitas à avaliação a relevância das mensagens enviadas para o fórum;


-Incentivar a organização do tempo disponível para as actividades propostas, distribuindo-o entre leituras, pesquisas e tarefas;


-Estimular a discussão sobre os temas abordados com outros colegas;


-Orientar no uso de técnicas de resumo.


Estas recomendações exigem um professor que irá mediar as participações de forma criativa, disciplinada e colaborativa.


2- AVA Moodle


De entre os diferentes AVA, este tem sido um dos mais utilizados tanto nas escolas públicas do ensino básico e secundário e, sobretudo, nas universidades. De entre as diversas vantagens, esta plataforma propicia a aplicação de estratégias pedagógicas de cariz construtivista, promovendo a autonomia e a interacção.


3- Fóruns: interacção assíncrona


Um dos desafios que se colocam ao professor nos cursos online é promover uma participação activa, orientada e que seja catalizadora duma reflexão colectiva. Por isso, devem ser conhecidas por todos as regras que definem essa participação e o que se espera das discussões online.


Esta pesquisa avalia a dimensão da interactividade dos intervenientes, concluindo que a actuação e interactividade do mesmo professor, em turmas diversas, nem sempre é avaliada da mesma forma.


Algumas das conclusões do estudo são as seguintes:


- a percepção do que é uma boa interactividade é um conceito complexo e nem sempre consensual;


- um factor destacado é a disponibilidade do professor num curso online.


Existem também aspectos que contribuem negativamente para as interacções de um curso online:


- a dimensão do grupo (os grupos muito grandes são frequentes) dificulta o acompanhamento adequado por parte do professor, e a compreensão das discussões em fóruns e/ou chats, por parte dos próprios aprendentes;


-a escassez de encontros presenciais dificulta o estabelecimento das relações interpessoais;


-a interação online, concentrada exclusivamente na mediação pedagógica realizada pelo professor, pode não ser suficiente para promover a participação do aprendente;


-a pouca disponibilidade online do professor, muitas vezes pelo pensamento equivocado de que o estudante deve ser autónomo, dificulta a efectivação de uma comunidade de aprendizagem e, muitas vezes, estimula a evasão;


-a falsa expectativa que o curso online é mais fácil, ou menos rigoroso, que o curso presencial, faz com que muitos estudantes abandonem os cursos.

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