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terça-feira, 10 de novembro de 2009

A Arte da Investigação

Sobre este tema, a obra de Robert E. Stake, “ A Arte da Investigação com Estudos de Caso” (2009), refere que parte da recolha de dados é impressionista, com dados obtidos a partir da impressão informal do investigador. Posteriormente, o investigador recolocará/reavaliará essas impressões iniciais. O autor distingue também o investigador qualitativo, detentor de experiência, base para uma boa selecção de dados e que, partindo da sua sensibilidade e cepticismo face à investigação em curso, testa a veracidade e solidez das suas interpretações. Este percurso é fruto de uma reflexão alargada, de um trabalho meticuloso, de troca de abordagens com colegas e tutores, da revisão criteriosa da literatura.
Stake indica um plano, dotado de complexidade, a seguir pelo investigador na recolha de dados, que passamos a citar:
- definição de caso;
- lista de perguntas de investigação;
- identificação dos ajudantes;
- fontes de dados;
- distribuição do tempo;
- despesas;
- relatório pretendido.
O investigador não deve perder de vista o objecto a investigar, deve prosseguir de mente aberta a alterações e situações ou acontecimentos inesperadas. Um dos aspectos a ter em conta é ter um bom sistema de armazenamento de dados, anotando elementos essenciais, do caléndário às despesas, dos contactos aos ficheiros de registo de informação facilitadores de uma boa revisão dos dados recolhidos. Pelo que para além da experiência, sensibilidade e cepticismo, também a capacidade de organização é essencial para o perfil do investigador.
Quanto aos registos utilizados, Staker aponta dois meios: registos de áudio e de vídeo. Os primeiros são fundamentais para o registo preciso das palavras, as segundas podem ter utilidade para complementar uma apresentação oral. Também não se pode deixar à sorte, a selecção das fontes de dados e é a partir da sua intuição que o investigador escolhe a melhor fonte de dados, ora as melhores fontes são aquelas que permitem compreeender o caso em apreço.
O acesso e as autorizações não podem ser descurados num contexto educativo, dado o investigador trabalhar num contexto em que estão envolvidos menores, identidades a proteger, ou instituições educativas com regras concretas. Na perspectiva de Staker, o investigador não deverá preocupar-se em interferir, corrigir ou alterar as situações objecto de investigação, nem esperar que as pessoas admirem o seu trabalho. O pedido de autorização ou acesso do investigador não deve alegar potenciais correcções de situações.

Bibliografia
Anderson,T.. Hanuka, H. (2003) "e-Research: Methods, Strategies and Issues".
Stake,R."A Arte da Investigação com Estudis de Caso". Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian
Bardin, L. (2008). Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70. (Obra original publicada em 1977).

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Processo de investigação

Será necessário formular uma hipótese? Eis o repto que nos foi hoje lançado.

Procurei responder à questão:o carácter imprescindível dos métodos e técnicas de investigação num trabalho de pesquisa decorre de vários elementos:
- a organização do próprio trabalho pra que esse trabalho seja produtivo ( recordo a propósito um provérbio: “se não souberes para onde queres ir, arriscas-te a levar muito tempo a chegar lá” ;
- a validade das conclusões inferidas da pesquisa para que essas conclusões sejam fruto de um método científico e não de conclusões passíveis de ser retiradas da observação/experiência diária;
- a possibilidade de qualquer elemento da comunidade científica testar as conclusões.
Apresento um esquema de JanKowikz( 1991) que sintetiza estes conceitos:

Actividade Científica e a Sociedade





Partindo do princípio de que as investigações informam de vantagens e de desvantagens e também das limitações de cada investigador, o rigor científico torna-se necessário e a formulação de hipótese ou de um problema é um momento fundamenta. Quando formulamos uma hípótese ou problema também estamos a antecipar o plano que vamos definir, as técnicas a seleccionar para recolher informações pertinentes e válidas, conducentes à posterior análise de dados.

Parto para leituras relativas ao conceito de paradigma ... e mais algumas questões que se encontram em aberto.