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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O uso de questionários - análise de uma tese

Partindo da nossa análise de uma tese, eis uma apresentação mais apelativa.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Questionários online I

Conheço por experiência própria o formulário do Googledocs.

Ainda não utilizei como investigadora, apenas enquanto docente. Tive oportunidade de responder a alguns desses e-questiponários, nomeadamente sobre a utilização da plataforma Moodle no agrupamento onde lecciono. Após a criação do formulário, os destinatários foram informados, mais de uma vez, por mail, sobre a finalidade que tinha presidido à sua elaboração, solicitando-se também a sua participação até uma determinada data. Uma das questões que se levanta é a da percentagem de inquiridos que responde, mas não tenho dados objectivos que me permitam sustentar uma opinião sobre se os questionários online têm maior ou menor participação dos inquiridos do que aqules que se encontram em suporte de papel. O suporte de papel, utilizado tradicionalmente até há pouco tempo, está a ser cada vez mais abandonado.


Os questionários online afiguram-se vantajosos por diversas razões: fácil edição, acesso e distribuição fácil, baixo custo, menor probabilidade de erro nas entradas e no tratamento de dados, a percepção dos participantes de que o anonimato é preservado com segurança, a apresentação mais atractiva.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Entrevista

O Processo de Recolha de Dados: a Entrevista

A entrevista é uma importante técnica de recolha de dados para o estudo da Acção Educativa. Pode revestir-se de diversas formas, sendo as mais comuns a entrevista individual ou a entrevista de grupo. As entrevistas também podem mediatizadas por computador ou por telefone. Podem ter uma duração breve ou muito longa, vários meses ou anos, mesmo. Para que a entrevista cumpra em plenitude a sua função, para além de confiança, é necessário que se gere empatia entre o entrevistador e o entrevistado.
As entrevistas podem ser desenvolvidas apenas entre duas pessoas ou no seio de um grupo, abranger um vasto número de temas, ou centrar-se somente num, tratar o tema em profundidade, ter uma estrutura de perguntas rígida ou não. Por exemplo, no caso qualitativo raramente se fazem as mesmas entrevistas a todos os entrevistados, porque se parte do princípio de que cada um tem experiências muito diferentes, ou mesmo únicas, para contar. Nestes casos, uma metodologia aconselhada será a da selecção de uma lista de questões a seguir, na orientação da entrevista, para que o inquirido saiba que há um objectivo pré-definido. Pretende-se um relato de uma experiência, uma explicação e não apenas uma resposta monossilábica. Este procedimento possibilita a comparação de experiências paralelas.

Nesta perspectiva, é válido realizar uma entrevista-piloto para antever dificuldades ou equívocos. O entrevistador, entre outros aspectos, deve:
- saber ouvir;
- fazer um registo da entrevista, gravando-a com o acordo do entrevistado;
- fazer perguntas periódicas de recapitulação; ainda que estas pareçam redundantes servem para confirmar, ou esclarecer, o que ficou dito.


Mas o mais importante não é fazer a mera transcrição ipsis verbis das palavras do entrevistado, mais importante é ser capaz de apreender o que realmente se queria dizer. A simples transcrição é, frequentemente, decepcionante para os entrevistados por causa da utilização de expressões menos felizes, que atraiçoam o que queriam transmitir.

Daí que se reafirme que uma importante qualidade do entrevistador é saber ouvir, reformular questões, pedir esclarecimentos, isto é, ter tempo para escutar.

Bibliografia
Anderson,T.. Hanuka, H. (2003) "e-Research: Methods, Strategies and Issues".
Stake,R."A Arte da Investigação com Estudis de Caso". Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian
Bardin, L. (2008). Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70. (Obra original publicada em 1977).

Questionários Online

É possível construir questionários online utilizando, por exemplo, um dos formulários do Google doc.. Neste caso, também existem tutoriais que orientam sobre a forma de elaborar um questionário online(- Google doc questionário online http://www.slideshare.net/katv/tutorial-como-elaborar-um-questionrio-no-google-docs) . É ainda possível utilizar o LimeSurvey (e ver no youtube a ferramenta em http://www.youtube.com ) ou um outro suporte , o http://www.questionarios.com/ .
A plataforma Moodle também possibilita a construção de questionários online, em http://elearning.fct.unl.pt elearning@fct.unl.pt , encontram-se estas orientações sobre a construção de questionários online:

O Moodle permite a construção de questionários online, com acesso adaptável às suas necessidades e cujos resultados podem ser exportados para um ficheiro Excel, onde poderá tratar os resultados.
Tarefas:
1. Adicione um questionário à página, seleccionando a opção “Questionário” no menu “Adicio¬nar uma actividade”
2. Configure o seu questionário segundo os seus critérios de disponibilidade, identificação do in-querido e tipo. (Fig.1)
3. Seleccione a opção “Criar novo” para criar um questionário de raíz ou seleccione um dos mo-delos disponíveis no Moodle@FCT. (Fig.2)
4. Clique em “Continuar”.
5. Preencha os campos em branco para adicio¬nar mais informação sobre o seu questionário. (Fig.3)
6. Clique em “Editar questões”.
7. Adicione três questões ao seu questionário, utilizando os botões de ajuda para obter mais informações sobre o tipo de questões e o seu formato. (Fig.4)
8. Pré-visualize o seu questionário, clicando no botão “Reordenar questões/Pré-visualizar”.

A construção de questionários na plataforma Moodle apresenta algumas vantagens: acesso protegido e gestão de perfis de utilizador, fácil gestão de acesso e das actividades.

Os questionários também podem ser remetidos através de mail personalizado, daí que a construção de questionários online seja muito vantajosa por ser de fácil utilização, possibilitando um tratamento dos dados rápido através da exportação dos dados e por ser de baixo custo.

domingo, 15 de novembro de 2009

Análise da tese - Métodos de Recolha de dados

Análise de uma tese

O primeiro aspecto a analisar é o objectivo que se definiu para os questionários. Quanto ao objectivo que presidiu à elaboração e aplicação dos questionários, a autora remete para o Capítulo I, capítulo onde, no ponto 3, se indicam os quatro objectivos gerais do estudo e sua relação com os dois grupos alvo deste estudo. Posteriormente a autora indica dois grupos de objectivos: um grupo aberto e outro fechado, o primeiro sem ter pré-definidos quaisquer comportamentos observáveis nos alunos, obseváveis apenas reacções de entusiasmo ou de indiferença, enquanto que o segundo pretende descrever competências específicas definidas previamente pela docente, reveladas ou não nos trabalhos escritos apresentados pelos alunos.
Os questionários foram aplicados em escolas situadas nos distritos do Porto e de Bragança, para tornar possível uma comparação dos resultados obtidos junto de populações com estilos de vida diferentes, situações geográficas mais desfavoráveis, na dicotomia litoral/interior.
A amostra é identificada objectivamente, os critérios que presidiram à sua selecção também estão explícitos. A selecção das escolas obedeceu ao critério do interesse de professores em participar do estudo, de forma a viabilizar a aplicação dos inquéritos junto dos seus alunos ou junto de outros docentes, assim como a existência de computadores ligados à Internet ligados à escola. De seguida, a autora enuncia as escolas onde foram aplicados os questionários a 350 alunos e a 110 professores, não se efectuando a caracterização destes últimos dada a sua mobilidade profissional. A selecção das escolas dependeu também da existência de elos de comunicação com elementos dessas escolas, estando todos os questionários entregues no final do ano lectico 2004/2005. A faixa etária dos alunos situa-se entre os 13 e os 15 anos, frequentando o 8º ano. Caracteriza também o grupo dos alunos, em função da sua avaliação, no final do segundo período, em Língua Portuguesa.
A autora indica os passos que estiveram subjacentes à construção dos questionários e processo de validação prévia dos questionários. Faz referência à aplicação de dois questionários diferentes, um a ser aplicado aos alunos e outro aos professores, com questões de escolha múltipla e por perguntas fechadas. Para validação, a autora elaborou um versão inicial submetida à apreciação de 20 alunos e 10 professores. “As dificuldades, dúvidas e sugestões dos intervenientes permitiram corrigir aspectos de forma e conteúdo. Assim, foi reformulada a redacção das questões 11 e 12 e acrescentados tópicos às opções da pergunta 12.” acrescenta a autora relativamente ao processo de validação.
Quanto ao tratamento dos dados, a autora utilizou o programa Excel para tratamento estatístico dos dados.
No ponto seguinte, a autora passa à apresentação estatística dos dados, dando uma breve interpretação desses dados, por exemplo, na referência ao acesso à Internet, a autora indica que “ o facto de muitos alunos não possuírem ligação à Rede em casa obriga-os a recorrerem aos computadores da escola. No entanto, a obrigatoriedade de os professores leccionarem aulas de substituição restringiu o pouco tempo livre que os alunos dispunham para as actividades desta natureza”.

Continuamos a investigação sobre questionários online!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A Arte da Investigação

Sobre este tema, a obra de Robert E. Stake, “ A Arte da Investigação com Estudos de Caso” (2009), refere que parte da recolha de dados é impressionista, com dados obtidos a partir da impressão informal do investigador. Posteriormente, o investigador recolocará/reavaliará essas impressões iniciais. O autor distingue também o investigador qualitativo, detentor de experiência, base para uma boa selecção de dados e que, partindo da sua sensibilidade e cepticismo face à investigação em curso, testa a veracidade e solidez das suas interpretações. Este percurso é fruto de uma reflexão alargada, de um trabalho meticuloso, de troca de abordagens com colegas e tutores, da revisão criteriosa da literatura.
Stake indica um plano, dotado de complexidade, a seguir pelo investigador na recolha de dados, que passamos a citar:
- definição de caso;
- lista de perguntas de investigação;
- identificação dos ajudantes;
- fontes de dados;
- distribuição do tempo;
- despesas;
- relatório pretendido.
O investigador não deve perder de vista o objecto a investigar, deve prosseguir de mente aberta a alterações e situações ou acontecimentos inesperadas. Um dos aspectos a ter em conta é ter um bom sistema de armazenamento de dados, anotando elementos essenciais, do caléndário às despesas, dos contactos aos ficheiros de registo de informação facilitadores de uma boa revisão dos dados recolhidos. Pelo que para além da experiência, sensibilidade e cepticismo, também a capacidade de organização é essencial para o perfil do investigador.
Quanto aos registos utilizados, Staker aponta dois meios: registos de áudio e de vídeo. Os primeiros são fundamentais para o registo preciso das palavras, as segundas podem ter utilidade para complementar uma apresentação oral. Também não se pode deixar à sorte, a selecção das fontes de dados e é a partir da sua intuição que o investigador escolhe a melhor fonte de dados, ora as melhores fontes são aquelas que permitem compreeender o caso em apreço.
O acesso e as autorizações não podem ser descurados num contexto educativo, dado o investigador trabalhar num contexto em que estão envolvidos menores, identidades a proteger, ou instituições educativas com regras concretas. Na perspectiva de Staker, o investigador não deverá preocupar-se em interferir, corrigir ou alterar as situações objecto de investigação, nem esperar que as pessoas admirem o seu trabalho. O pedido de autorização ou acesso do investigador não deve alegar potenciais correcções de situações.

Bibliografia
Anderson,T.. Hanuka, H. (2003) "e-Research: Methods, Strategies and Issues".
Stake,R."A Arte da Investigação com Estudis de Caso". Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian
Bardin, L. (2008). Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70. (Obra original publicada em 1977).

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Os dados em investigação educacional

Não há melhores ou piores métodos na recolha de dados em investigação educacional, mas métodos que se adequam ao objectivo proposto.

Este processo segue três polos cronológicos:
- uma fase inicial, que é a fase de organização propriamente dita – este momento inicial tem por objectivo sistematizar as primeiras ideias, apenas intuídas a partir da hipótese ou objectivo previamente definido - seguida da exploração do material e, por fim, o tratamento dos dados, posteriormente inferidos e interpretados pelo investigador.

Segundo , Bardin, estas fases seguem também elas finalidades que podem não estruturar uma ordem cronológica:
a) começa-se pela escolha dos documentos a submeter posteriormente à análise;
b) em seguida, formulam-se as hipótese e os objectivos;
c) tratamento e interpretação dos dados recolhidos.

Considera-se que estas fases não seguem necessariamente esta ordem cronológica, ainda que estejam entrelaçados, pois os objectivos podem ser definidos em função dos documentos disponíveis, ou os objectivos podem ser construídos em função das hipóteses, ou vice-versa.

Escolha dos documentos – começamos por uma leitura global dos documentos ( leitura flutuante), leitura essa que se vai tornando cada vez mais precisa, depois escolhem-se os documentos, demarcando um universo, que leve à constituição de um corpus. A selecção desse corpus pode ter em conta todos os elementos que o constituem, mas a análise pode ser feita pela amostra, porque os elementos devem ser homogéneos, com o objectivo de extrair resultados globais ou comparar dados individuais. Essses elementos devem ser pertinentes e ter como propósito a formulação de hipóteses ou objectivos. Dados estes passos , os indicadores são referenciados com vista à sua organização sistemática. Passa-se para um momento de organização e edição dos textos, que podem ser organizados para padrononização, classificação ou tratamento informático. Podem ser seleccionados diferentes métodos para a recolha das informações, da entrevista ao inquérito por questionário, da obsevação directa à entrevista com análise de conteúdo.

Formulam-se as hipótese e os objectivos – concluída a fase anterior, decorre a análise propriamente dita, fase longa e extenuante, aplicando sistematicamente as opções anteriormente tomadas.

Tratamento e interpretação dos dados recolhidos – para a validade e fiabilidade dos resultados obtidos contribuem estatísticas, diagramas, figuras ou modelos que permitem ao investigador inferir e depois interpretar.
Elaborado este enquadramento teórico, passaremos à análise da tese propriamente dita - análise da dissertação Neto, C. (2006). O papel da internet no processo de construção do conhecimento.


Bibliografia
Anderson,T.. Hanuka, H. (2003) "e-Research: Methods, Strategies and Issues".
Stake,R."A Arte da Investigação com Estudis de Caso". Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian
Bardin, L. (2008). Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70. (Obra original publicada em 1977).

domingo, 1 de novembro de 2009

Análise de uma tese

Estes são alguns dos pontos do estudo de Ana Paula Alves em “E-Portefólio: Um estudo de caso” (Julho de 2007)

A tese centra-se na análise da implementação de e-portefólios numa turma de 9º ano, adoptando a plataforma Moodle , num contexto curricular relativo à disciplina de Matemática. Esta tese segue uma metodologia:

- estudo de caso;
- análise dos dados através do cruzamento de informação proveniente de diferentes fontes e diferentes instrumentos.

Apresenta também a revisão de literatura, enquadrada em três aspectos:
- “a contextualização das práticas do ensino-aprendizagem e das práticas de avaliação em Matemática escolar, em Portugal;
- a organização e implementação de programas de e-portefólios em Matemática escolar;
- o conhecimento das actuais potencialidades tecnológicas de sistemas de suporte à criação de portefólios e respectivas considerações, para a concepção de um ambiente de portefólios electrónicos em ambiente escolar.“

O estudo termina com a recomendação relativa à utilização da Moodle como tecnologia que viabiliza a implementação de e-portefólios, claramente vantajosos para as aprendizagens dos alunos e potenciadores de interacção de todos os intervenientes.

Apresentam-se, de seguida, alguns aspectos essenciais relativos à metodologia e processo seguidos pela autora:

- enquadrando a tese nos objectivos apontados no Plano Tecnológico, a autora parte da sua experiência profissional, decorrente da aplicação de e-portefólios, numa turma da qual era titular e, partindo dos constrangimentos encontrados anteriormente, pretendeu centrar-se no estudo de um caso;
- descreve e caracteriza os sujeitos “informantes”;
- uma parte importante da tese centra-se na revisão da literatura, no contexto escolar do ensino da Matemática em Portugal; nessa revisão da literatura aponta, nomeadamente, as normas a seguir numa avaliação exemplar em Matemática e princípios orientadores para a avaliação;
- após referência a dois grandes paradigmas de investigação educativa - o paradigma positivista e o paradigma interpretativo - , refere também a metodologia e a organização da investigação;
- o presente estudo segue um paradigma interpretativo em que a investigadora interpreta a realidade e segue um método indutivo, com uma visão sistemática e holística à medida que os dados emergem.

Análise das etapas iniciadas

Para quem “não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”.

Para que a investigação chegue a bom porto, é necessário um ponto de partida definido, ainda que nem todas as investigações tenham de começar do mesmo ponto. Isto é, afigura-se-me imprescindível começar pela formulação do problema e pela explicitação clara dos objectivos. Para que o investigador trace o rumo a seguir, mesmo estando muito motivado para conseguir levar a cabo a sua missão, como aponta o Luís, precisa de estar consciente de que a investigação, para ser exequível e credível, tem de seguir os diferentes passos. A clareza da revisão da literatura é um momento importante.

Uma outra barreira em que as investigações muitas vezes tropeçam, encontrando dificuldades inultrapassáveis, é o momento relativo ao estudo no terreno, à recolha de dados, de informação, não tanto pelas dificuldades de caracterização da amostra, mas por falhas de previsão relativamente aos dados a recolher. Mesmo um investigador muito motivado pode encontrar obstáculos inultrapassáveis.

O que fazer?

As reflexões que deixámos nesta actividade inicial permitem equacionar alguns obstáculos que podemos encontrar, enquanto futuros investigadores. Todo o trabalho inicial de preparação da investigação deve ser feito pelo investigador, sob pena de não conseguir ter uma visão, nem holística, nem sistemática, ou produzir um estudo de validade reduzida ... perde tempo, motivação, porque, às vezes, parece que está cada vez mais longe do seu objectivo. Por fim, a divulgação do seu estudo , a replicabilidade das conclusões sugeridas pelo estudo do investigador, estão feridas na sua fiabilidade.