O Processo de Recolha de Dados: a Entrevista
A entrevista é uma importante técnica de recolha de dados para o estudo da Acção Educativa. Pode revestir-se de diversas formas, sendo as mais comuns a entrevista individual ou a entrevista de grupo. As entrevistas também podem mediatizadas por computador ou por telefone. Podem ter uma duração breve ou muito longa, vários meses ou anos, mesmo. Para que a entrevista cumpra em plenitude a sua função, para além de confiança, é necessário que se gere empatia entre o entrevistador e o entrevistado.
As entrevistas podem ser desenvolvidas apenas entre duas pessoas ou no seio de um grupo, abranger um vasto número de temas, ou centrar-se somente num, tratar o tema em profundidade, ter uma estrutura de perguntas rígida ou não. Por exemplo, no caso qualitativo raramente se fazem as mesmas entrevistas a todos os entrevistados, porque se parte do princípio de que cada um tem experiências muito diferentes, ou mesmo únicas, para contar. Nestes casos, uma metodologia aconselhada será a da selecção de uma lista de questões a seguir, na orientação da entrevista, para que o inquirido saiba que há um objectivo pré-definido. Pretende-se um relato de uma experiência, uma explicação e não apenas uma resposta monossilábica. Este procedimento possibilita a comparação de experiências paralelas.
Nesta perspectiva, é válido realizar uma entrevista-piloto para antever dificuldades ou equívocos. O entrevistador, entre outros aspectos, deve:
- saber ouvir;
- fazer um registo da entrevista, gravando-a com o acordo do entrevistado;
- fazer perguntas periódicas de recapitulação; ainda que estas pareçam redundantes servem para confirmar, ou esclarecer, o que ficou dito.
Mas o mais importante não é fazer a mera transcrição ipsis verbis das palavras do entrevistado, mais importante é ser capaz de apreender o que realmente se queria dizer. A simples transcrição é, frequentemente, decepcionante para os entrevistados por causa da utilização de expressões menos felizes, que atraiçoam o que queriam transmitir.
Daí que se reafirme que uma importante qualidade do entrevistador é saber ouvir, reformular questões, pedir esclarecimentos, isto é, ter tempo para escutar.
Bibliografia
Anderson,T.. Hanuka, H. (2003) "e-Research: Methods, Strategies and Issues".
Stake,R."A Arte da Investigação com Estudis de Caso". Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian
Bardin, L. (2008). Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70. (Obra original publicada em 1977).
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terça-feira, 17 de novembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
Análise da tese - Métodos de Recolha de dados
Análise de uma tese
O primeiro aspecto a analisar é o objectivo que se definiu para os questionários. Quanto ao objectivo que presidiu à elaboração e aplicação dos questionários, a autora remete para o Capítulo I, capítulo onde, no ponto 3, se indicam os quatro objectivos gerais do estudo e sua relação com os dois grupos alvo deste estudo. Posteriormente a autora indica dois grupos de objectivos: um grupo aberto e outro fechado, o primeiro sem ter pré-definidos quaisquer comportamentos observáveis nos alunos, obseváveis apenas reacções de entusiasmo ou de indiferença, enquanto que o segundo pretende descrever competências específicas definidas previamente pela docente, reveladas ou não nos trabalhos escritos apresentados pelos alunos.
Os questionários foram aplicados em escolas situadas nos distritos do Porto e de Bragança, para tornar possível uma comparação dos resultados obtidos junto de populações com estilos de vida diferentes, situações geográficas mais desfavoráveis, na dicotomia litoral/interior.
A amostra é identificada objectivamente, os critérios que presidiram à sua selecção também estão explícitos. A selecção das escolas obedeceu ao critério do interesse de professores em participar do estudo, de forma a viabilizar a aplicação dos inquéritos junto dos seus alunos ou junto de outros docentes, assim como a existência de computadores ligados à Internet ligados à escola. De seguida, a autora enuncia as escolas onde foram aplicados os questionários a 350 alunos e a 110 professores, não se efectuando a caracterização destes últimos dada a sua mobilidade profissional. A selecção das escolas dependeu também da existência de elos de comunicação com elementos dessas escolas, estando todos os questionários entregues no final do ano lectico 2004/2005. A faixa etária dos alunos situa-se entre os 13 e os 15 anos, frequentando o 8º ano. Caracteriza também o grupo dos alunos, em função da sua avaliação, no final do segundo período, em Língua Portuguesa.
A autora indica os passos que estiveram subjacentes à construção dos questionários e processo de validação prévia dos questionários. Faz referência à aplicação de dois questionários diferentes, um a ser aplicado aos alunos e outro aos professores, com questões de escolha múltipla e por perguntas fechadas. Para validação, a autora elaborou um versão inicial submetida à apreciação de 20 alunos e 10 professores. “As dificuldades, dúvidas e sugestões dos intervenientes permitiram corrigir aspectos de forma e conteúdo. Assim, foi reformulada a redacção das questões 11 e 12 e acrescentados tópicos às opções da pergunta 12.” acrescenta a autora relativamente ao processo de validação.
Quanto ao tratamento dos dados, a autora utilizou o programa Excel para tratamento estatístico dos dados.
No ponto seguinte, a autora passa à apresentação estatística dos dados, dando uma breve interpretação desses dados, por exemplo, na referência ao acesso à Internet, a autora indica que “ o facto de muitos alunos não possuírem ligação à Rede em casa obriga-os a recorrerem aos computadores da escola. No entanto, a obrigatoriedade de os professores leccionarem aulas de substituição restringiu o pouco tempo livre que os alunos dispunham para as actividades desta natureza”.
Continuamos a investigação sobre questionários online!
O primeiro aspecto a analisar é o objectivo que se definiu para os questionários. Quanto ao objectivo que presidiu à elaboração e aplicação dos questionários, a autora remete para o Capítulo I, capítulo onde, no ponto 3, se indicam os quatro objectivos gerais do estudo e sua relação com os dois grupos alvo deste estudo. Posteriormente a autora indica dois grupos de objectivos: um grupo aberto e outro fechado, o primeiro sem ter pré-definidos quaisquer comportamentos observáveis nos alunos, obseváveis apenas reacções de entusiasmo ou de indiferença, enquanto que o segundo pretende descrever competências específicas definidas previamente pela docente, reveladas ou não nos trabalhos escritos apresentados pelos alunos.
Os questionários foram aplicados em escolas situadas nos distritos do Porto e de Bragança, para tornar possível uma comparação dos resultados obtidos junto de populações com estilos de vida diferentes, situações geográficas mais desfavoráveis, na dicotomia litoral/interior.
A amostra é identificada objectivamente, os critérios que presidiram à sua selecção também estão explícitos. A selecção das escolas obedeceu ao critério do interesse de professores em participar do estudo, de forma a viabilizar a aplicação dos inquéritos junto dos seus alunos ou junto de outros docentes, assim como a existência de computadores ligados à Internet ligados à escola. De seguida, a autora enuncia as escolas onde foram aplicados os questionários a 350 alunos e a 110 professores, não se efectuando a caracterização destes últimos dada a sua mobilidade profissional. A selecção das escolas dependeu também da existência de elos de comunicação com elementos dessas escolas, estando todos os questionários entregues no final do ano lectico 2004/2005. A faixa etária dos alunos situa-se entre os 13 e os 15 anos, frequentando o 8º ano. Caracteriza também o grupo dos alunos, em função da sua avaliação, no final do segundo período, em Língua Portuguesa.
A autora indica os passos que estiveram subjacentes à construção dos questionários e processo de validação prévia dos questionários. Faz referência à aplicação de dois questionários diferentes, um a ser aplicado aos alunos e outro aos professores, com questões de escolha múltipla e por perguntas fechadas. Para validação, a autora elaborou um versão inicial submetida à apreciação de 20 alunos e 10 professores. “As dificuldades, dúvidas e sugestões dos intervenientes permitiram corrigir aspectos de forma e conteúdo. Assim, foi reformulada a redacção das questões 11 e 12 e acrescentados tópicos às opções da pergunta 12.” acrescenta a autora relativamente ao processo de validação.
Quanto ao tratamento dos dados, a autora utilizou o programa Excel para tratamento estatístico dos dados.
No ponto seguinte, a autora passa à apresentação estatística dos dados, dando uma breve interpretação desses dados, por exemplo, na referência ao acesso à Internet, a autora indica que “ o facto de muitos alunos não possuírem ligação à Rede em casa obriga-os a recorrerem aos computadores da escola. No entanto, a obrigatoriedade de os professores leccionarem aulas de substituição restringiu o pouco tempo livre que os alunos dispunham para as actividades desta natureza”.
Continuamos a investigação sobre questionários online!
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Os dados em investigação educacional
Não há melhores ou piores métodos na recolha de dados em investigação educacional, mas métodos que se adequam ao objectivo proposto.
Este processo segue três polos cronológicos:
- uma fase inicial, que é a fase de organização propriamente dita – este momento inicial tem por objectivo sistematizar as primeiras ideias, apenas intuídas a partir da hipótese ou objectivo previamente definido - seguida da exploração do material e, por fim, o tratamento dos dados, posteriormente inferidos e interpretados pelo investigador.
Segundo , Bardin, estas fases seguem também elas finalidades que podem não estruturar uma ordem cronológica:
a) começa-se pela escolha dos documentos a submeter posteriormente à análise;
b) em seguida, formulam-se as hipótese e os objectivos;
c) tratamento e interpretação dos dados recolhidos.
Considera-se que estas fases não seguem necessariamente esta ordem cronológica, ainda que estejam entrelaçados, pois os objectivos podem ser definidos em função dos documentos disponíveis, ou os objectivos podem ser construídos em função das hipóteses, ou vice-versa.
Escolha dos documentos – começamos por uma leitura global dos documentos ( leitura flutuante), leitura essa que se vai tornando cada vez mais precisa, depois escolhem-se os documentos, demarcando um universo, que leve à constituição de um corpus. A selecção desse corpus pode ter em conta todos os elementos que o constituem, mas a análise pode ser feita pela amostra, porque os elementos devem ser homogéneos, com o objectivo de extrair resultados globais ou comparar dados individuais. Essses elementos devem ser pertinentes e ter como propósito a formulação de hipóteses ou objectivos. Dados estes passos , os indicadores são referenciados com vista à sua organização sistemática. Passa-se para um momento de organização e edição dos textos, que podem ser organizados para padrononização, classificação ou tratamento informático. Podem ser seleccionados diferentes métodos para a recolha das informações, da entrevista ao inquérito por questionário, da obsevação directa à entrevista com análise de conteúdo.
Formulam-se as hipótese e os objectivos – concluída a fase anterior, decorre a análise propriamente dita, fase longa e extenuante, aplicando sistematicamente as opções anteriormente tomadas.
Tratamento e interpretação dos dados recolhidos – para a validade e fiabilidade dos resultados obtidos contribuem estatísticas, diagramas, figuras ou modelos que permitem ao investigador inferir e depois interpretar.
Elaborado este enquadramento teórico, passaremos à análise da tese propriamente dita - análise da dissertação Neto, C. (2006). O papel da internet no processo de construção do conhecimento.
Bibliografia
Anderson,T.. Hanuka, H. (2003) "e-Research: Methods, Strategies and Issues".
Stake,R."A Arte da Investigação com Estudis de Caso". Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian
Bardin, L. (2008). Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70. (Obra original publicada em 1977).
Este processo segue três polos cronológicos:
- uma fase inicial, que é a fase de organização propriamente dita – este momento inicial tem por objectivo sistematizar as primeiras ideias, apenas intuídas a partir da hipótese ou objectivo previamente definido - seguida da exploração do material e, por fim, o tratamento dos dados, posteriormente inferidos e interpretados pelo investigador.
Segundo , Bardin, estas fases seguem também elas finalidades que podem não estruturar uma ordem cronológica:
a) começa-se pela escolha dos documentos a submeter posteriormente à análise;
b) em seguida, formulam-se as hipótese e os objectivos;
c) tratamento e interpretação dos dados recolhidos.
Considera-se que estas fases não seguem necessariamente esta ordem cronológica, ainda que estejam entrelaçados, pois os objectivos podem ser definidos em função dos documentos disponíveis, ou os objectivos podem ser construídos em função das hipóteses, ou vice-versa.
Escolha dos documentos – começamos por uma leitura global dos documentos ( leitura flutuante), leitura essa que se vai tornando cada vez mais precisa, depois escolhem-se os documentos, demarcando um universo, que leve à constituição de um corpus. A selecção desse corpus pode ter em conta todos os elementos que o constituem, mas a análise pode ser feita pela amostra, porque os elementos devem ser homogéneos, com o objectivo de extrair resultados globais ou comparar dados individuais. Essses elementos devem ser pertinentes e ter como propósito a formulação de hipóteses ou objectivos. Dados estes passos , os indicadores são referenciados com vista à sua organização sistemática. Passa-se para um momento de organização e edição dos textos, que podem ser organizados para padrononização, classificação ou tratamento informático. Podem ser seleccionados diferentes métodos para a recolha das informações, da entrevista ao inquérito por questionário, da obsevação directa à entrevista com análise de conteúdo.
Formulam-se as hipótese e os objectivos – concluída a fase anterior, decorre a análise propriamente dita, fase longa e extenuante, aplicando sistematicamente as opções anteriormente tomadas.
Tratamento e interpretação dos dados recolhidos – para a validade e fiabilidade dos resultados obtidos contribuem estatísticas, diagramas, figuras ou modelos que permitem ao investigador inferir e depois interpretar.
Elaborado este enquadramento teórico, passaremos à análise da tese propriamente dita - análise da dissertação Neto, C. (2006). O papel da internet no processo de construção do conhecimento.
Bibliografia
Anderson,T.. Hanuka, H. (2003) "e-Research: Methods, Strategies and Issues".
Stake,R."A Arte da Investigação com Estudis de Caso". Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian
Bardin, L. (2008). Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70. (Obra original publicada em 1977).
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